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Dona Carlota.
Parteira antiga, muito estimada.
Está lidando num trabalho de parto e solicita o doutor para assistência à parturiente, residente bem perto, em velha praça da cidade.
O médico, há poucos dias, chegara à localidade.
Os partos da Senhora Corina eram trabalhosos e complicados. O doutor fora alertado e se preveniu das dificuldades que o caso acarretaria.
O fracasso, naquele dia, ainda recente no Município, poderia desgastá-lo, perigosamente.
Exame da parturiente.
Parto gemelar, gêmeos.
Trabalho de parto progride bem. Escoam algumas horas. Nasce a primeira criança. Logo depois, o segundo feto, em posição de nádegas. Pratica-se a Manobra de Morriceau. Os recém-nascidos apresentam sofrimento.
Manobras conhecidas são executadas. Estimulantes respiratórios e circulatórios da época.
Depois de bastante esforço são conseguidas boas condições vitais das crianças. O médico volve sua atenção para a mãe.
Está desmaiada.
Hemorragia intensa sobreveio ao parto. O sangue atravessa o calção e vai manchar o velho assoalho de tábuas largas.
Colapso periférico da paciente.
Não havia contração uterina. Talhada a formação da "bola viva de Pinard". Atonia do útero.
O doutor assume a ofensiva. Luta como pode. Soldado perdido em meio ao golpe cruel.
O médico, como a indagar a si mesmo: "E agora?"
Quando dantesco. Morte iminente.
O doutor introduz na cavidade uterina pedaço de lençol, alvejado de dar inveja. Pinça as artérias sangrantes. Aplicam-se soros.
Mulher de pulso lívido, passa a ser contável.
Como se tratasse de um longo percurso em que os minutos pareciam horas, imaginam e executam-se todos os meios possíveis à reanimação da mãe.
O que parecia insustentável, firma-se.
A sombra se torna luz.
O milagre acontece.
A mãe se salva.
Como pode tanta amargura, em pouco tempo de trabalho profissional, empalidecer o idealismo de um jovem médico?
Um ano depois, novo parto da Senhora Corina.
Tempo para preparar e prevenir.
Agora combatente munido, psicologicamente e materialmente para o trabalho.
Parto rápido e feliz.
Foi advertido o marido que sua esposa
não poderia ter mais filhos. E se acontecesse, levá-la para o hospital mais próximo.
O risco de vida deveria ser eliminado.
O doutor viajara para se atualização médico, no Rio de Janeiro.
Ao regressar vai se inteirando aos poucos, com sugestão adiantada, quando o médico se ausentou.
O fato se deu tardiamente pois, residia a família na Zona Rural.
Quando se aproximava o dia do parto, ia para a cidade.
O conselho do médico não foi seguido.
A Senhora Corina entra em trabalho de parto.
Nasce o filho.
Sobreveio hemorragia, por atonia uterina.
Colega estimadíssimo de "São José" é chamado.
Por mais depressa que mandasse dirigir a condução que o levava, nada adiantou.
Corina falecera antes do médico entrar na casa.
Nada a fazer. Cedo, o conselho. Tardia, a resolução.
Muitas vezes de houve a frase:
"Assim Deus quis".
Fato consumado, como encontrasse no absurdo a intervenção Divina.
Crendices e fantasias povoam as almas ingênuas que se perdem e se consolam nos abismos das falsidades e da ignorância. |