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O doutor chega à localidade.
Inicio da sua medicina.
Recebe a visita de antigo companheiro de ginásio e tiro de guerra. Amizade fraternal de longa história, e que se prolonga, pela vida afora.
Formado em odontologia, nunca exercera a profissão.
A agricultura pereceu-lhe mais promissora, pelo menos, mais livre e mais atrativa.
Chamando na Fazenda do Dr. Dias para atender um colono. Moço ainda.
O exame clínico constatou pneumonia.
Prescreve penicilina de 200.000 mg de 3 em 3 horas, dia e noite, conforme uso na época, até completar a dose recomendada.
Extraordinária conquista medicamentosa.
Salve Fleming!
Passados dois dias o doente não melhora. O chefe da família vai à Fazenda.
Procura o Dr. Dias. Expõe-lhe que o medicamento de doutor novo não está fazendo efeito.
Sentia-se preocupado e nervoso com a saúde do filho.
Conhecedor dos efeitos maravilhosos da penicilina, o colega e amigo dirige à casa do enfermo. Quer saber o que aconteceu.
___ "Quem está aplicando as injeções de penicilina de 3 em 3 horas, dia e noite, como foi receitado?"
___ "ninguém patrão".
Espanto geral.
Estavam dando ao doente, pela boca, cada ampola da água própria, de 3 em 3 horas, (usada apara dissolver o ingrediente) e o pó dos vidrinhos faziam o doente engolir aos pouquinhos, tudo seguindo o mesmo horário. "tudo dado direitinho."
___ Não erra para beber, esclarece o fazendeiro.
Tem que aplicar no músculo as injeções preparadas (dissolve-se o pó de cada vidrinho em água destilada própria, contida em cada empola).
Fazer isso e aplicar no músculo de 3 em 3 horas.
"O preparo era de 3 em 3 horas: pó mais água."
Ficaram descontrolados pela confusão, inutilizando a preciosa penicilina.
O Dr. Dias, bondoso e prestativo, mandou buscar na farmácia da localidade, novos frascos de penicilina e as ampolas do solvente usado.
Ensinou preparar cada injeção nas horas certas e aplicá-las de 3 em 3 horas, dia e noite.
A melhora foi evidente ao fim das aplicações.
Medicamento, ontem como hoje, a penicilina continua consagrada no combate às pneumonia.
Outros existem, também de efeito extraordinário.
O médico novo se livrou de uma decepção graças á diligência do amigo.
O doutor soube dos acontecimentos indo à Fazenda para rever o doente. Almoça com o colega de ginásio e amigo desde a infância.
Ai, então, relatou o inusitado.
Com sua argúcia e fina malícia soube controlar e erro, eliminado para o doutor, embaraçosa situação.
Decepcionado, o doutor procura descansar, indo até a maravilhosa Cachoeira das Andorinhas, quase no perímetro urbano.
Rememora fatos. Lembranças acadêmicas.
Vem à mente o Rio de Janeiro, com suas belezas e beleza da gente carioca.
E indaga a si mesmo como chegar ao fim no exercício da Medicina, na aspereza de cada momento...
Será que vai viver com o senhor que acalentou, ao concluir a carreira de Medicina, para exercer a profissão dentro de sua realidade, bem distante daquela que, visionário pensou um dia?
Ou caminhará sempre sem realizar o idealismo de sua mocidade?
Mas, é preciso continuar a luta...
As suas esperanças em vez de se perderem nas apreensões de cada instante, mais devem se avivar, para que possa cumprir a penosa missão na "arte de curar".
Os conselhos, as curas, os desvelos, os sofrimentos curáveis ou incuráveis, todos constituem, como num desenho, a forma do coração humano, onde está inscrito o Amor ao Doente.
O médico vive com a Dor.
Trabalha contra a Dor. Descansa ouvindo a Dor.
Se padecer o cliente do corpo ou da mente, é sempre Dor.
Dor no corpo, Dor na alma.
A máxima de Hipócrates está sempre presente no ato médico:
"Sedare Dolorem Opus Divinum Est"
"Sedar a Dor é obra Divina".
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