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Serra das bruacas.
Chamado constantemente, sempre usado o cavalo como meio do transporte.
Lá moravam os Modestos.
Modestos nos nomes e nos costumes. Gente simples e amiga. Lavradores de nome excelente, incansável.
Todos se tornaram cliente do médico, rescém-chegado à cidade: o José, Antônio, João e Oscar, e assim por diante. O Guilherme, cunhado na família, era curador. Estimado pelas benzeções e receituário da medicina popular.
O doutor acostumou de tal forma pelos caminhos e atalhos, que o ensinaram ir à Serra das Bruacas, sem auxilio do guia.
Foi atender o filho da família de um dos Modestos. Padecia de dor e inflamação, conforme dados de emissário.
Toca bem o animal, estrada carroçável, e pelo desvios chegam logo.
Examina o doente.
Abcesso profundo no terço médio da coxa esquerda.
Doente emagrecido pela febre prolongada. Fraqueja geral.
Prepara o material necessário à pequena cirurgia.
Os pais se retiram para o pasto, no fundo da casa. Não querem ouvir os gemidos do filho sofredor, no ato operatório.
Anestesia com sinalgan, tão na moda.
Faz-se a incisão, cuidadosa mas profunda, uma vez que a coleção do pus estava abaixo dos fortes músculos da coxa. Esvazia-se o conteúdo.
Alivio do doente.
Coloca-se um dreno e dá instruções aos familiares para prosseguirem nos curativos.
Não havia necessidade de voltar à Serra para isso.
Regresso o médico.
Toca mais devagar o animal.
No espigão da pequena montanha, no meio do caminho, um estranho procura deter o doutor, com seus gestos desconexos.
Roupas em desalinho, barba mal formada, com os braços abertos, impede o doutor de continuar a viagem. Parece cercá-lo.
O médico ameaça tocar o animal sobre o estranho homem, para estudar sua atitude e afastá-lo.
Não adiantou.
Continua com os braços abertos, estendidos, como se quisesse dizer "aqui não passa".
O corpo daquele ser humano tinha um balanceio; braços abertos, como já disse; membros inferiores afastados, como um compasso aberto.
O doutor reflete melhor. Contorna o local. Penetra em uma capoeira entre moitas de "alça peixe" "rebentão", vassoura prata e "aranha-gatos".
Mais distantes da figura estranha, toma a estrada e apressa o animal.
Alcança o Córrego das Pedras e chega á cidade.
O mesmo homem, com os mesmos gestos, dias depois, encontra-o na Praça Principal da cidade.
Ficou sabendo que se tratava do Alfredinho, deficiente mental, surdo e mudo, muito conhecido.
Nunca agrediu ninguém.
Poder-se-ia dizer um inocente, um santo.
Ficou doente.
O doutor foi atendê-lo e visitá-lo várias vezes.
Tornaram-se amigos, o que ele demonstravam, pela afeição alegre, ao ver médico.
O gesto inconseqüente acompanhou Alfredinho pela vida afora.
Bastante enfermo, o doutor foi vê-lo.
Balbuciou apenas. Talvez a despedida.
Um ser humano puro, cujo gesto era o abraço de querer bem a todos.
Os braços estendidos eram como o de Cristo, na estrada da Palestina, pregando, reunindo, chamando os peregrinos ao seu rebanho.
Alfredinho, na sua inocência, sem o saber seguia o Mestre.
Não pregava. Era mudo.
Evangelizava com sua atitude.
Vivia abraçando a humanidade com gesto da Paz, na serenidade espiritual do seu destino.
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