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Não é um caso.
Muitos casos de atendimento às crianças, incontáveis até.
Há meio século o doutor segue para o Interior de Minas.
Incerteza no futuro.
Chega à localidade para inicio da vida médica.
Atende na cidade e na roça, indo às residências, além do consultório.
Costume da época. Região que abrange alguns municípios. Acontece também com os outros médicos.
O número de profissionais da medicina era pequena e a população relativamente grande para cada um.
Inicia a clínica.
Cada dia que passa, aumentam os clientes, principalmentes crianças. É o médico de crianças, como vai sendo chamado.
Os termos pediatria e pediatra pouco pronunciados.
O doutor frequentara, trabalhando muito, diversos serviços no Rio de Janeiro, durante anos.
Deus permitiu que, assim, acontecesse, pois de valia extraordinária na sua vida, numa época que o médico que saber tudo. Falar em especialidade, nas localidades pequenas era inaceitável pela população. O chamado, qual fosse o caso médico, teria que atendê-lo, levaria a pecha de ignorante ou de displicente.
Clínica intensa, difícil para todos os profissionais.
Mais difícil ainda era ser médico de criança.
Lidar com rescém-nascido, na sua delicadeza, na excitabilidade do pré-escolar e do escolar.
E, principalmente, no primeiro ano de idade, "pedra angular da vida".
As mães sofrem como os filhos, com a mesma intensidade no padecimento dos mesmos.
É comum ouvir: "doutor faz tudo para o meu filho; tudo que sabe para curá-lo."
É a súplica natural do Amor Materno.
Dir-se-ia que nada acontece.
Há uma calmaria.
De repente, como em céu azul, sem mancha, aparece uma nuvem.
Tolda-se o céu. Um raio prenuncia o tempestade.
A criança fica doente.
Só está chorando, só está sofrendo.
A criança pequenina não sabe falar porque ainda é luz; o seu olhar é a sua linguagem; o seu semblante a intensidade de seu padecimento.
É o espelho onde se refletem a saúde e a dor.
Entrou na vida acariciada pelo amor de mãe. E, por isso, a mãe não aceita o gemido que dilacera a sua alma; o choro que dói e a aflição que atordôa.
Confia, apela e exige do médico da criança para aliviar e curar o seu filho.
É o pediatra que ali está, como sentinela incansável na peleja que o destino de sua vocação lhe determina.
O doutor também não admite senão a cura e a felicidade de pequenino ser.
Cercado em torno do berço, é como ser sagrado, ao qual se dirige eterna prece. Tudo proteção e carinho.
Os sentimentos nas embates da profissão não permitem aceitar que o doente gravemente enfermo assim continue.
O médico não concorda com a terrível sentença, em que clinicamente, considera o caso de seu doente, um caso perdido. vai até o fim.
Sem que ninguém se aperceba, o médico sofre. Seu sofrimento fere intensamente a sua alma.
As ocasiões que, assim aconteceram o feriam. Ferimento que o tempo não cicatriza.
Continua doendo.
Apesar de tudo, não pode, nem deve esmorecer.
Tem que prosseguir.
Quando o doutor revê o passado de lutas, trabalhos e sacrifícios, dominam
as emoções e se inunda de recompensa.
Os fracassos perdem a significação diante do que se criança, o trabalho na medicina preventiva, foi uma dádiva Divina.
As preocupações, os anseios do médico não devam ser desoladores, mas abrigos esperançosos.
A tudo instante em chamado para a tender criança. Cada período da doença da criança, meditação.
Cada dúvida, um mistério preocupante.
Cada cura, o sentimento de tranqüilidade.
Não tem sossego e nem lhe convém.
A cada momento, a lágrima d'uma mãe.
Havia ainda um vazio a preencher nos conhecimentos, para melhor servir à comunidade, aos seus doentes e, principalmente, às crianças.
Ausenta-se da clínica por um ano.
Especializa-se em Saúde Pública.
É a medicina preventiva, dando as mãos à medicina Curativa. Elos de uma mesma corrente.
Forças que se conjugam.
Benefícios que se somam.
Um novo e imenso campo do saber.
Estende-se da Engenharia Sanitária à Bioestatística; das doenças infecto-contagiosas às imunizações; da psicologia à sociologia; dos acidentes na infância às dificuldades escolares; da higiene mental a tantos outros temas ligados à Saúde Pública e à infância.
Todos foram trabalhados com resultados fecundos.
O título que muito enobreceu o doutor e amenizou o caminho de jornada, foi ser "Médico de Criança".
No entardecer de sua vida, como a luz tranqüila do pôr do sol, sentiu a certeza de Ter servido com intenso amor às crianças de sua pediatria.
Prosseguiu como peregrino na estrada de Damasco, na Humanitária Cruzada.
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