Sobre o Autor

Toda semana uma nova história vivida e romanceada pelo Dr.Pedro Simão Zenun

A Revolta


            Longa distância da cidade até o alto do monte.
            Surgia problema inesperado, de saúde pública, relativo à orientação e tratamento da lepra.
            Embora a familiarização condicione amizade recíproca e fraterna.
            Chamados para exames periódicos doentes e contatos, compareciam todos, numa espontaniedade admirável.
            Recebiam orientações, medicações específicas para longo período de tratamento.
            A bem dizer, o medicamento era só a sulfona.
            Na serra das Divisas, residia o maior número de portadores da doença.             Parentes quase todos.
            A última convocação não foi obedecida. Não houve comparecimento.
            O mais velho, na doença e na idade, envia mensageiro ao doutor para informar que não iam mais atender ao chamado do médico.
            Estavam aborrecidos e revoltados.
            O médico não considerou despropositada a atitude, pois, pelo mundo, tantos se revoltam.
            Por que eles não!!
            Doença deformadora, contagiosa, eram considerados abomináveis. É como se fossem indivíduos diferentes, considerados estranhos na vida.
            Expulsão espontânea ou forçada da convivência, como se a terra prometida não os aceitasse, antes, até, os repelisse.
            As lágrimas dos sentimentos foram diminuídos aos poucos. Não desciam mais pelas faces formosas ou enrugadas. Esconderam-se no coração.
            Que adianta banhar-lhes o rosto, se as mágoas cortam fundo o viver e machucam a mente?
            É por isso, que trazem na revolta a sua mensagem.
            "A Mensagem":
            "A conversação teria que ser no local, na serra das Divisas, na casa do doente mais velho."
O doutor resolve de imediato seguir à montanha e tomar conhecimento do fato, pessoalmente.
            Usando um único remédio fornecido contra a doença - a sulfona - julgavam que isso significava desinteresse pelos seus sofrimentos.
            Cansados da doença, cansados do medicamento.
            Enfadonha a vida porque isolados forçosamente.
            O doutor a vida o fim da justa rebeldia.
            A conversa amiga, em torno de diversos problemas do baixo rural residiam, permitiu se chagar a um entendimento satisfatório.
            Esclarecendo que a sulfona era o bacteriostático de primeira linha.
            Impedia a proliferação das baterias e. assim, ficavam sem condições de propagar. O micróbio, castigado pelo medicamento, permanecia estático, inoperante. É como se o encarcerasse. A doença não continuava.
            Tudo foi compreendido.
            Outros medicamentos pesquisados e observados mostraram também sua eficácia no combate ao mal de hansen.
            Contando as suas vidas de resignação, abaixavam as cabeças, cada um a sua hora, como se pretendesse com os olhos fixos no chão, enterrar a via crucis da doença deformadora.
            O mal se expandiu com as orientações e recursos aplicados.
            A comunidade progrediu.
            Encarcerou-se bactéria. Destruiu-se a doença.
            Venceram os doentes. Venceu a Ciência.
            Nada mais sublime, qualquer milagre. De ver que o mal desaparece, depois de Ter pela sua ação maléfica assolado considerável parte da humanidade.
            Numa corrosão lenta e desanimadora. É necessário prosseguir na luta...
            Cada um pode olhar no espelho e sorrir diante de sua face projetada que tem agora a beleza grega e a serenidade merecida.
            É como se o beijo do Nazareno pousasse na fronte de casa um, para se transformar no remédio divino da paciência, do Amor e da alegria.
            São sonhos acalentados, há milênios, transformados pelo poder da ciência e da fé.
            Tem que ser olvidada a lepra, na profilaxia e no combate contínuo.
            O leproso é a alma heróica de um mártir, e por isso se rovolta, em lugar que há desinteresse pala sua doença e pela sua vida. A ciência é dinâmica. Não cessa na luta pelo bem.
            Se a medicação , embora heróica, era uma só, tinha para, numa interação, a mão do médico que cumprimenta, apertando a mão do doente, dando lhe apoio psicológico significativo.
            Sob a guarda do amor e da Medicina preventiva e curativa, onde prevenção e cura se aliem, os doentes, estacionários na doença e contatos sãos, viverão alegres e sobranceiros para sentir e gozar o paraíso de suas guimeras.
            Se houve, de início, a exaltação de ânimos e, também, a depressão que lhe sucede, em face do complexo ciência e doente, do mal e do bem, mostrou-se a todos, o caminho do Amor, que também é remédio e cura.

            Bendita Revolta!!



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