Sobre o Autor

Toda semana uma nova história vivida e romanceada pelo Dr.Pedro Simão Zenun

A Tuberculose

          Bem de manhã.
          O consultório está calmo.
          Vem para consulta, o senhor "Pepe".
          Aspecto geral bom, embora com emagrecimento.
          Tosse geral não deixa o doente em paz.
          Está sub-febril.
          Leva, de repente, o lenço à boca e golfada de sangue mancha a brancura do pano.
          Sintomas e sinais evidenciam tuberculose pulmonar, confirmada pelo Raio-X e exame de escarro.
          Doença considerada terrível, há meio século, e o portador do mal sempre desprezado.
          ___ Você é portador terapêutico existentes são muito bons.
          A cura se dará.
          O paciente considerou-se perdido. Era um tísico. Pedaço de vida, chegando ao fim.
          Apoderou-se dele uma nostalgia, qual peso imenso de chumbo a esmagar o seu destino.
          Embora aceitando a evidência da cura pela medicação, continuava conturbado e abatido.
          Casaria dento de uma semana.
          Que fazer?!
          Comunicar a doente à noiva que tudo amava, ela não iria acreditar, repondo ter ele inventado a doença para e descompromisso do casamento. Se casar estaria transmitindo a doença à futura esposa. Naquele tempos, os tempos eram outros.
          Abandonar o casamento é ser jogado às feras das internações maldosas.           Casar, a sua consciência gritava pela transmissão da doença à pessoa de sua afeição.
          Minutos antes, peregrino dos sonhos.
          Agora, tronco abatido pelo desgosto selvagem.
          A encruzilhada é dramática.
          Apela ao médico encontrar o caminho que o tranquilize.
          O cérebro do doutor também está confuso, na exiguidade de hora para pensar.
          O doutor deve ampará-lo.
          O doente não pode padecer sozinho e o médico deve restituir-lhe a calma e a segurança de viver.
          Ser desprezível, comeria o pó do desapreço.
          A mente do médico de redobra, dentro de imaginação possível, para conduzir o atribulado à sombra benfazeja.
          Não era mais o corpo de Pape que ai sendo corroído , mas o memento doloroso e complexo que vivia.
          Casar ou não?
          O doutor falou-lhe firmemente:
          ___ Sr Pepe, guarda o segredo de sua doença. Guarda só para você a sua tuberculose.
          E, case-se.
          Logo depois, por motivo qualquer, venha ao consultório com sua jovem esposa, sem nada revelar-lhe.
          Na sala de exame médico, as coisas mudarão.
          Não se aflija. Assume o matrimônio.
          No dia do casamento, a Igreja está repleta.
          Inicio da cerimônia.
          Seu Pepe está elegante. A emoção o domina.
          Por mais que se esforçou, não pôde conter a tosse que, intensa, provoca hemoptise, sangue a tingir a brancura do lenço de linho.
          Com destreza, leva-o à boca, mantendo assim, como a impedir o grito da doença.
          Ninguém percebe. Tudo continua normalmente.
          Festeja-se o enlace.
          Acompanha a festa, nela participando de tudo.
          Passados alguns dias, como combinado, o casal comparece ao consultório.
          O médico examina o Pepe. Pede consistência no uso do medicamento e nas orientações preventivas.
          O esposo quer que a mulher aproveite para exame clinico.
          Aceita com relutância.
          A sós com o médico, o doutor leva a palestra a para a verminose e seu           tratamento. Contorna e chega onde quer. Quero desvendar a você em segredo.
          ___ Sobre meu esposo?
          ___ É sim. Nada a assustar.
          ___ Você gosta muito do Pepe?
          ___ Muito.
          ___ Você casaria com ele se sofresse de lepra?
          ___ Casaria, como estamos casados.
          ___ E, se fosse tuberculose, que é também doença transmissível, perigosa e grave?!
          ___ Do mesmo modo casaria. Nenhuma doença nos separa.
          ___ Pois bem, seu marido é tuberculoso e já está se tratando. A cura virá.
O doutor relata os exames realizados, os prestimosa, sem tão difícil situação. É inestimável o seu amor ao jovem Pepe.
          Entre surpresa e espanto, concordou com os fatos e até agradeceu o modo que agiram - médico e doente.
          Mais cresceu nela a afeição pelo marido que muito suportou para corresponder ao Amor e não fugir ao enlace pelo cruel padecimento.
          Esposa extraordinária, acompanhou a doente do marido.
          Assistiu a cura completa.
          Exames reiterados durante anos, negativos.
          Pepe engordou.
          A alegria dos jovens.
          Tiveram filhos e belos sadios.
          Hoje todos moços.
          Aqui, no caso, a doença em vez de ser empecilho, tornou-se objeto de uma afetividade mais intima e mais duradoura.
          O médico seguiu toda a evolução da doença até a cura e ainda mais, por anos a felicidade do jovem casal e de seus filhos.
          A medicina pode curar ou remediar e mais ainda, fazer a ventura dos seres humanos, no padecimento.
          O médico vive para outrem.
          É a continua aliança de almas num mesmo sentir, num só bem, num só pensar - a felicidade do enfermo.



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