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Bem de manhã.
O consultório está calmo.
Vem para consulta, o senhor "Pepe".
Aspecto geral bom, embora com emagrecimento.
Tosse geral não deixa o doente em paz.
Está sub-febril.
Leva, de repente, o lenço à boca e golfada de sangue mancha a brancura do pano.
Sintomas e sinais evidenciam tuberculose pulmonar, confirmada pelo Raio-X e exame de escarro.
Doença considerada terrível, há meio século, e o portador do mal sempre desprezado.
___ Você é portador terapêutico existentes são muito bons.
A cura se dará.
O paciente considerou-se perdido. Era um tísico. Pedaço de vida, chegando ao fim.
Apoderou-se dele uma nostalgia, qual peso imenso de chumbo a esmagar o seu destino.
Embora aceitando a evidência da cura pela medicação, continuava conturbado e abatido.
Casaria dento de uma semana.
Que fazer?!
Comunicar a doente à noiva que tudo amava, ela não iria acreditar, repondo ter ele inventado a doença para e descompromisso do casamento. Se casar estaria transmitindo a doença à futura esposa. Naquele tempos, os tempos eram outros.
Abandonar o casamento é ser jogado às feras das internações maldosas.
Casar, a sua consciência gritava pela transmissão da doença à pessoa de sua afeição.
Minutos antes, peregrino dos sonhos.
Agora, tronco abatido pelo desgosto selvagem.
A encruzilhada é dramática.
Apela ao médico encontrar o caminho que o tranquilize.
O cérebro do doutor também está confuso, na exiguidade de hora para pensar.
O doutor deve ampará-lo.
O doente não pode padecer sozinho e o médico deve restituir-lhe a calma e a segurança de viver.
Ser desprezível, comeria o pó do desapreço.
A mente do médico de redobra, dentro de imaginação possível, para conduzir o atribulado à sombra benfazeja.
Não era mais o corpo de Pape que ai sendo corroído , mas o memento doloroso e complexo que vivia.
Casar ou não?
O doutor falou-lhe firmemente:
___ Sr Pepe, guarda o segredo de sua doença. Guarda só para você a sua tuberculose.
E, case-se.
Logo depois, por motivo qualquer, venha ao consultório com sua jovem esposa, sem nada revelar-lhe.
Na sala de exame médico, as coisas mudarão.
Não se aflija. Assume o matrimônio.
No dia do casamento, a Igreja está repleta.
Inicio da cerimônia.
Seu Pepe está elegante. A emoção o domina.
Por mais que se esforçou, não pôde conter a tosse que, intensa, provoca hemoptise, sangue a tingir a brancura do lenço de linho.
Com destreza, leva-o à boca, mantendo assim, como a impedir o grito da doença.
Ninguém percebe. Tudo continua normalmente.
Festeja-se o enlace.
Acompanha a festa, nela participando de tudo.
Passados alguns dias, como combinado, o casal comparece ao consultório.
O médico examina o Pepe. Pede consistência no uso do medicamento e nas orientações preventivas.
O esposo quer que a mulher aproveite para exame clinico.
Aceita com relutância.
A sós com o médico, o doutor leva a palestra a para a verminose e seu
tratamento. Contorna e chega onde quer. Quero desvendar a você em segredo.
___ Sobre meu esposo?
___ É sim. Nada a assustar.
___ Você gosta muito do Pepe?
___ Muito.
___ Você casaria com ele se sofresse de lepra?
___ Casaria, como estamos casados.
___ E, se fosse tuberculose, que é também doença transmissível, perigosa e grave?!
___ Do mesmo modo casaria. Nenhuma doença nos separa.
___ Pois bem, seu marido é tuberculoso e já está se tratando. A cura virá.
O doutor relata os exames realizados, os prestimosa, sem tão difícil situação. É inestimável o seu amor ao jovem Pepe.
Entre surpresa e espanto, concordou com os fatos e até agradeceu o modo que agiram - médico e doente.
Mais cresceu nela a afeição pelo marido que muito suportou para corresponder ao Amor e não fugir ao enlace pelo cruel padecimento.
Esposa extraordinária, acompanhou a doente do marido.
Assistiu a cura completa.
Exames reiterados durante anos, negativos.
Pepe engordou.
A alegria dos jovens.
Tiveram filhos e belos sadios.
Hoje todos moços.
Aqui, no caso, a doença em vez de ser empecilho, tornou-se objeto de uma
afetividade mais intima e mais duradoura.
O médico seguiu toda a evolução da doença até a cura e ainda mais, por anos a felicidade do jovem casal e de seus filhos.
A medicina pode curar ou remediar e mais ainda, fazer a ventura dos seres humanos, no padecimento.
O médico vive para outrem.
É a continua aliança de almas num mesmo sentir, num só bem, num só pensar - a felicidade do enfermo. |