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Inicio da noite.
Chamado na Fazenda das Pedras. À cavalo.
Segue com o guia.
Na maleta de urgência, o material obstétrico.
Caminhada longa. Às 22 horas, a chegada.
O médico é recebido pelo proprietário da Fazenda, Sr. Carvalho.
A parturiente é na casa do vizinho.
Examina a parturiente.
Tudo normal. Atrasado o trabalho de parto.
Voltar não era conveniente e outras viagens se tornariam penosas. Ali ficava doutor e os amigos, noite a dentro, esperando a progressão natural para o nascimento da criança.
Lá pela madrugada, nasce bonita criança.
De costume, o doutor aguarda certo tempo para não ser surpreendido por possível hemorragia depois do parto. Espectro temido pelos médicos em épocas e lugares sem recursos, exigindo ação enérgica para em boas condições, o prepara para regressar à cidade. Dispensa o companheiro de viagens, àquela hora avançada da noite.
Insistiram para o doutor pousar, aguardando o amanhecer. Seguiria aquela noite mesmo. Muitos casos graves preocupavam-no, na cidade.
Monta o cavalo. Belo animal. Coisa rara.
Em toada regular, vai pela estrada batida, porque toda velha estrada é sempre amiga.
Passando pelo sítio do senhor Martines, com o tropel do animal, cães latem. Qualquer barulho, àquela hora da madrugada escura, é sempre maior e incomodativo.
Abre-se uma janela.
Surge à mesma, alguém que não se distingue.
___ Quem é e o que faz a esta hora da noite?
___ É o doutor. Venho da Fazenda das Pedras e estou regressando à cidade. Reconheci-o pela voz.
___ O senhor não deve voltar sozinho. Pode errar. Espere amanhecer.
Vamos "chegar" e esperar o dia clarear.
O médico agradecer a gentileza do amigo e cliente Martines. "Tenho urgência." E toca o animal.
Quando alcança o capão do mato comprido, ficou receioso. O animal não guardava a mesma postura, a mesma regularidade na marcha.
Espantava-se com qualquer barulho.
Galhos que partiam. Animais silvestres cortavam a mata e atravessavam o caminho. Vento vivava na noite fria pela vereda do espigão.
Ecos perdidos no silêncio no da madrugada.
Com a ventania, velha e enorme árvore quebra-se e um estranho se forma no entrechoque das galhadas.
De repente, sem esperar, o animal estanca e recua.
E, ao esporeá-lo, arranca-se, desabridamente. Rebenta a barrigueira e o arreio desliza pelo ventre do animal.
Com destreza, o médico se livra da montaria para evitar a queda. Aos poucos, vai acalmando o animal até dominá-lo.
Quase meia hora para acertar a montaria e firmá-la.
Não consegue. Fica inclinada a sela, embora segura.
O doutor nunca foi bom cavaleiro, bom de equitação.
Monta e caminha devagar. Toca o animal, passo a passo.
Ao alvorecer do dia, o vento embocava no mato pela estrada, formando em canal frio.
O sol, já batendo seus primeiros raios de luz, clareando a estrada, dá mais tranqüilidade.
O doutor chega ao Sitio do senhor Romualdo, na malhada. Também cliente e amigo.
Estava àquela hora ordenhando as vacas.
Ao ver apeasse rápido, segurando ele a montaria do outro lado, para evitar o desequilíbrio.
O doutor narrou o acontecido.
Solicitou o bom Romualdo que entrasse em sua casa, tomasse um café com leite quente e ofereceu um comprimido para gripe. Pelo que passou, poderia ter forte resfriado.
___ "Desculpe dar conselho ao médico."
Aceitou a orientação.
Descansou um pouca.
Arruma-se o arreio. Tudo certo, segue a viagem.
___ Prazer ver mais tempo, em minha casa, ao despedir, o Sr. Romualdo.
___ "Muito obrigado, agradeceu o doutor, não sei como recompensar a sua
bondade".
Romualdo, homem alto, magro e alegre. Andar apressado. Bem conhecido pela dedicação nas festas da Igreja. Nestas ocasiões, ficava elegante, trajando terno de brim azul, bem confeccionado. Chapéu escuro, de meia aba. Delicado com todos e, sempre a sua festa religiosa rendia bem, em beneficio da paróquia.
O médico considera-se
satisfeito por Ter cumprido mais uma missão e vencido perigosa diligência.
Chega à cidade. Revê os doentes.
E, hoje, na memória, moram clientes e amigos.
Conviveu com todas uma gente que tudo soube admirar e que foi, para ele, apoio nas difíceis horas de sua vida.
É a história de todos os médicos, no Interior. |